Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

Transtorno de Personalidade Paranóide

 

A característica essencial do Transtorno da Personalidade Paranóide é um padrão invasivo de desconfiança e suspeita quanto aos outros, de modo que os seus motivos são interpretados como malévolos. Este padrão tem início no começo da idade adulta e está presente numa variedade de contextos.
Os indivíduos com este transtorno desconfiam que as outras pessoas os exploram, prejudicam ou enganam, ainda que não exista qualquer evidência que apoie esta ideia. As suspeitas baseiam-se em poucas ou nenhumas evidências. Pensam que os outros conspiram contra eles e que
atacá-los subitamente, a qualquer momento e sem qualquer razão. Estes indivíduos costumam acreditar que foram profunda e irreversivelmente prejudicados por outra(s) pessoa(s), mesmo que para tal não existam evidências objectivas.
Eles preocupam-se com dúvidas  infundadas quanto à lealdade e confiabilidade dos seus amigos ou colegas, cujas acções são minuciosamente examinadas em busca de evidências de intenções hostis. Qualquer desvio percebido na confiabilidade ou lealdade serve para apoiar as suas suposições básicas. Eles sentem-se tão perplexos quando um amigo ou colega lhes demonstra lealdade que não conseguem confiar ou acreditar. Quando enfrentam dificuldades, esperam ser atacados ou ignorados por amigos e colegas.
Os indivíduos com este transtorno recusam ter confiança ou intimidade com outras pessoas, pelo medo de que as informações que compartilham sejam usadas contra eles. Podem recusar-se, inclusivamente, a responder a perguntas pessoais, afirmando que as informações “não são da conta de ninguém”.
Eles vêem significados ocultos, humilhantes e ameaçadores em comentários ou observações benignas. Por exemplo, um indivíduo com este transtorno pode interpretar um engano genuíno cometido por um operário de caixa como uma tentativa deliberada de enganá--lo no troco, ou pode interpretar uma observação bem-humorada e casual feita por um colega de trabalho como um sério ataque ao seu carácter. Elogios frequentemente são mal interpretados (por ex., um cumprimento por uma nova aquisição é interpretado como uma crítica ao seu egoísmo; um elogio por uma conquista é interpretado como uma tentativa de forçá-lo a um desempenho maior e melhor). Eles podem interpretar uma oferta de auxílio como uma crítica por não estarem a fazer o suficiente por conta própria.
Os indivíduos com este transtorno guardam rancores persistentes e resistem em perdoar os insultos, ofensas ou deslizes dos quais pensam ter sido vítimas.
Uma vez que estão constantemente vigilantes quanto às intenções nocivas dos outros, eles acham, muito frequentemente, que o seu carácter ou reputação foram atacados ou que, de alguma forma, foram menosprezados. O seu contra-ataque é rápido e reagem com raiva aos insultos percebidos.
Os indivíduos com este transtorno podem ser patologicamente ciumentos, suspeitando, frequentemente, da fidelidade de seu cônjuge ou parceiro sexual, sem qualquer tipo de fundamento. Eles podem juntar “evidências” triviais e circunstanciais para apoiarem as suas crenças ciumentas. Desejam manter um completo controlo de relacionamentos íntimos para evitar traições, podendo constantemente questionar o paradeiro, as acções, intenções e fidelidade do cônjuge ou parceiro.

PESSOAS DE DIFÍCIL CONVIVÊNCIA

Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Paranóide são, em geral, pessoas de difícil convivência, e com frequência enfrentam problemas com relacionamentos íntimos. As suas desconfianças e excessiva hostilidade podem ser expressas em discussões agressivas, queixas recorrentes ou afastamento silencioso e visivelmente hostil. Como são hipervigilantes para possíveis ameaças, eles podem comportar-se de maneira reservada, velada ou desviante e parecer “frios” e sem sentimentos de ternura. Embora possam parecer objectivas, racionais e não-emocionais, estas pessoas exibem, mais frequentemente, uma indiferença afectiva, com predomínio de expressões hostis, obstinadas e sarcásticas. A sua natureza combativa e desconfiada pode provocar uma resposta hostil dos outros, o que, então, serve para confirmar as suas expectativas originais.
Uma vez que os indivíduos com Transtorno da Personalidade Paranóide não confiam nos outros, têm uma necessidade excessiva de auto-suficiência e um forte sentido de autonomia. Precisam também de ter um alto grau de controlo sobre as pessoas à sua volta.
Estes indivíduos frequentemente são rígidos, críticos em relação aos outros e incapazes de colaborar, embora tenham grande dificuldade de aceitar críticas a eles mesmos. Podem culpar os outros pelas suas dificuldades.
Os indivíduos com este transtorno tentam confirmar as suas noções negativas pré-concebidas envolvendo pessoas ou situações que encontram, atribuindo motivações malévolas aos outros, quando, na verdade, não passam de projecções dos seus próprios temores. Eles podem apresentar fantasias grandiosas e irrealistas fracamente encobertas, em geral estão atentos a temas de poder e hierarquia e tendem a desenvolver estereótipos negativos dos outros, particularmente de grupos populacionais distintos.
Atraídos por formulações simplistas do mundo, frequentemente evitam situações ambíguas. Estes indivíduos podem ser conhecidos como “fanáticos” e formar “cultos” ou grupos estreitamente fechados com outros que compartilham o seu sistema de crenças paranóides.
Particularmente em resposta ao stress, os indivíduos com este transtorno podem vivenciar episódios psicóticos muito breves (durando de minutos a horas). Em alguns casos, o Transtorno da Personalidade Paranóide pode aparecer como antecedente pré-mórbido do Transtorno Delirante ou da Esquizofrenia. Os indivíduos com este transtorno podem desenvolver um Transtorno Depressivo Maior e estar em risco aumentado para Agorafobia e Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Frequentemente ocorrem Abuso ou Dependência de álcool ou de outra substância.

Psicóloga às 22:30
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12 comentários:
De cantinhodamimi a 2 de Setembro de 2009 às 20:16
Olá..

Dá uma espreitadela no meu blog ;p

www.ocantinhodamimi.blogspot.com
Beijinhos*
De ECMDG a 3 de Setembro de 2010 às 16:52
Acho que uma pessoa que me é chegada tem este distúrbio. Como é que faço para leva-la a um especialista? É que ela acha que não está doente...
Agradeço imenso a ajuda.
De Thereza a 17 de Novembro de 2011 às 12:32
Achei muito interessante o seu artigo, eu revi-me em algumas das suas frases, depois de uma relação falhada, quem não desconfia...

Cumprimentos
De Fernanda a 24 de Novembro de 2011 às 00:12
Olá. Esse post me interessou bastante, pois suspeito de que eu possa ter esse transtorno. Se houver algum contato disponibilizando ajuda para resolver esse problema, por favor, fale comigo através do meu email, nandapaula_fofinh@hotmail.com.
De elisabete silva a 5 de Março de 2012 às 09:35
O meu marido tem todos estes sintomas, inclusive tudo o que o nosso filho de 25 anos faz ele diz que é para o enervar, ele não aceita que está doente, por favor será que existe alguma coisa que ele possa tomar para o acalmar, tenho um amenina c/ 16 anos que está a sofrer com esta situação.ele é capaz de passar todo fim de semana (ele só vem a casa aos fins de semana pq é motorista) aos gritos e sempre a ver coisas onde não existem, e para ele tudo o que a gente faz é mal feito. já não aguento mais.
grata
De jose madeira a 5 de Fevereiro de 2013 às 07:42
Bom dia adorei o seu artigo sobre esquisiofrenia porque m encontrei em muitos pontos.tdo indica q sofro paranoide, parei p pens
ar e.comeco a perceber q tdo q eu kero e amo a pouco vou perdendo amigos,familia...preciso d ajuda eu kero vencer
De carmen a 15 de Março de 2013 às 14:56
meu maridi sofre deste problema, se encaixa perfeitamente em todas as caracteristicas e o pior de tudo e q ele nao aceita, canso de achar q ele e louco... Nao sei mais o q faco, temos um filho com oito anos que presencia nossas brigas e sofro por isso...
De Anónimo a 5 de Abril de 2013 às 18:28
olha eu sinto-me mal comigo mesma.. não gosto de mim, acho-me gorda, feia.. que não sou boa a fazer nada e nem sequer devia existir, só me apetece desaparecer.. :( o que faço? tenho 15 anos e sou uma rapariga
De Ana Eliza a 11 de Junho de 2013 às 20:33
Boa tarde. Meu ex-namorado se enquadra em todos os critérios. Sofro ameaças ainda por parte dele, ainda tenho muito medo de andar só e sofrer algum tipo de violência contra a minha vida! Ele nunca me agrediu fisicamente, mas sempre fui agredida psicologicamente e verbalmente. Ele sempre me seguia e vigiava. Depois do término foi intensificado. No relacionamento e até após o término pedia constantemente para ir ao psicólogo e fazer um tratamento. A família dele não enxerga essa doença, até porque ele manipula todos lá. Gostaria de saber se existe um tratamento para o transtorno de personalidade paranóide? Na verdade tenho várias perguntas. A família dele um dia enxergará? Como faço? Como devo reagir e proceder com ele, diante das ameaças? Existe cura? Desde já, muito obrigada pelo conhecimento e aprendizado disponibilizado. Ana.
De Harold a 28 de Maio de 2014 às 14:55
Não gosto com facilidade das pessoas e me sinto extremamente enfurecido com a menor contradição, com por exemplo quando alguém usa de um tom agressivo na voz ao se dirigir a mim. Já tenho vontade de me vingar e até de matá-la. Não sei dizer se isso é "sintoma de doença". Acho difícil acreditar e não quero ser controlado e feito de idiota. Nota: escrevo assim porque sou do Brasil, São Paulo, caso pareça escrever de maneira estranha.

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