Domingo, 26 de Outubro de 2008

“OS INDICADORES INCONVENIENTES DA MINHA BALANÇA”: Obesidade

 

 

Trata-se de uma afecção crónica, cuja incidência tem vindo a aumentar, especialmente nos países industrializados. Atinge homens e mulheres de igual forma, seja qual for a idade; reduz significativamente a qualidade de vida e a taxa de mortalidade é já considerada elevada.

Sedentarismo, factores genéticos, gravidez e menopausa, são alguns factores de risco.
Exerce consequências ao nível da saúde, múltiplas e graves, como por exemplo, ao nível do aparelho cardiovascular, metabolismo (hiperlipidemia, diabetes, gota), sistema pulmonar, aparelho gastro-intestinal, genito-urinário e reprodutor (incontinência, infertilidade, amenorreia…).
A obesidade provoca também outro tipo de alterações. Discriminação, isolamento, depressão e falta de auto-estima são alguns exemplos.
Importa salientar que o tratamento é um processo moroso, o qual está sujeito a várias recaídas por parte do paciente, por isso é necessário um acompanhamento profissional, estabelecendo-se metas sempre realistas.
Desde programas de actividade física a dietas individualizadas, passando pela cirurgia bariátrica (obesidade mórbida), a intervenção psicológica assume um papel crucial ao longo de todo o processo.
A terapia comportamental tem sido aquela que exerce melhores resultados. Compreender os processos fundamentais da causa da doença, ajudam o paciente na tomada de consciência, bem como no estabelecimento das metas a alcançar com o avanço da terapia.
Existem alguns grupos de apoio em locais especializados, que têm por base uma re-educação alimentar. Os resultados alcançados têm sido bastante positivos.
 
ATINGE HOJE QUASE UM TERÇO DA POPULAÇÃO MUNDIAL
 
A obesidade hoje em dia atinge cerca de um terço da população mundial e por isso é chamada de “epidemia” do terceiro milénio. Estes dados são alarmantes porque a obesidade está associada a várias outras doenças, como o diabetes, a hipertensão arterial, doenças cardiovasculares (que levam, por exemplo, a derrame cerebral), lesões articulares e maior risco de certos tipos de câncer.
Assim, a obesidade é um problema médico sério. As suas causas são múltiplas, envolvendo factores genéticos, metabólicos, comportamentais, culturais e sociais. Infelizmente a obesidade costuma ser tratada de forma inadequada porque vem sendo, há muito tempo, entendida como o resultado de distúrbios psicológicos ou problemas morais.
O obeso é visto, normalmente, “como uma pessoa de baixa auto-estima (só alguém que se detesta pode ficar assim deformado), com limitações intelectuais (deve ser burro... sabe que se comer tanto engorda, mas mesmo assim enche-se de comida), com mau funcionamento mental (é muito ansioso: come para descontar a angústia, troca o afecto por comida, em vez de ter uma vida sexual adequada, sublima os seus desejos através da comida), covarde (esconde-se por detrás daquela capa de gordura) e egoísta (fica deste tamanho para ocupar mais espaço no mundo). Pensava-se também que haveria uma personalidade típica dos obesos ou que eles não teriam personalidade, ou ainda, que seriam preguiçosos. Mas isso não é verdade.
Todas essas ideias não têm a menor base científica e contribuem para o grande estigma social que traz o stresse e sofrimento aos obesos, comprometendo sua qualidade de vida.
Os empregadores, por exemplo, recusam contratar pessoas gordas. Numa pesquisa realizada nos EUA, 16% dos empregadores disseram que não contratariam mulheres obesas. Os candidatos obesos de ambos os sexos são descritos como "menos competentes, menos produtivos, desorganizados, indecisos e inactivos." Além disso, os obesos recebem salários menores que os não-obesos nos mesmos cargos.
Mesmo entre crianças, o preconceito contra a obesidade é marcante e as crianças obesas são segregadas pelas demais. Noutro estudo norte-americano foram mostradas a várias crianças fotografias de uma criança obesa e de outras crianças com problemas físicos e deformidades. Pediu-se, então, que apontassem qual das crianças seria mais difícil de se gostar e qual a criança que não queriam ter como amiga. A mais escolhida foi a criança obesa. A explicação dada pela maioria do grupo foi que enquanto as demais crianças eram vítimas de um infortúnio, a obesa era responsável pelo seu próprio problema. Logo era alguém com atributos negativos. Pesquisas semelhantes realizadas com adultos obtiveram resultados semelhantes.
Não é difícil, portanto, entender que os problemas que os obesos enfrentam no dia-a-dia em função do seu tamanho, podem levar ao aparecimento de sintomas ansiosos e depressivos. A presença de distúrbios emocionais não é necessária para o aparecimento da obesidade.
Os obesos não são pessoas mais complicadas ou comprometidas que as outras pessoas. Pessoas obesas que estão em tratamento apresentam mais sintomas depressivos, ansiosos e de transtornos alimentares. Quanto mais grave for a obesidade, maiores são os níveis de psicopatologia. Ou seja, a obesidade é a causa dos transtornos psicológicos e psiquiátricos e não a consequência dos mesmos.
A presença de problemas psicológicos decorrentes da obesidade pode influenciar de forma negativa o resultado dos tratamentos para a redução de peso. Por isso, é fundamental que eles sejam diagnosticados e tratados de forma responsável e séria por profissionais capacitados (psiquiatras e psicólogos).
De entre os distúrbios psíquicos relacionados com a alimentação, o mais frequente é o transtorno do comer compulsivo, também chamado Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP). Está provado que mais de 30% dos indivíduos que procuram tratamento para a obesidade têm TCAP; alguns trabalhos chegaram a encontrar taxas de 50%. Cabe ressaltar que 95% dos indivíduos com TCAP também têm depressão. Um outro padrão alimentar alterado, igualmente frequente em pacientes obesos é a Síndrome do Comer Nocturno que se caracteriza por hiperfagia (isto é, exagero alimentar) nocturna, insónia e anorexia matinal.
Fica clara, assim, a importância da psiquiatria e da psicologia na luta contra a obesidade.
Pense bem: como é que uma pessoa que come compulsivamente, que está deprimida ou que tem hiperfagia nocturna vai conseguir seguir um plano alimentar?
Não se deixe enganar: tratamentos mágicos, que não consideram estes aspectos, não podem ter sucesso. Indivíduos obesos que já tentaram inúmeros tratamentos podem ser tentados a experimentar dietas, medicamentos ou preparações que alegam promover perda de peso rápida e de grande monta. Com isso caem em mãos de pessoas ou empresas antiéticas e vão perder tempo, dinheiro e o que é pior, a esperança de melhorar. O tratamento bem sucedido da obesidade, além de envolver o manejo das questões clínicas, nutricionais e de actividade física, tem que passar, necessariamente, pela abordagem psicológica.
 
ALGUNS CONSELHOS
 
Ficam alguns exemplos de exercícios a seguir pelo paciente quando orientado por intermédio da terapia comportamentalista:
- Não fazer compras quando sentir fome;
- Preferir a utilização de escadas ao invés do elevador;
- Mastigar muito lentamente os alimentos;
- Ir pousando os talheres enquanto mastiga, ao longo da refeição;
- Não comer enquanto vê televisão.
A re-educação alimentar implica uma mudança desmedida no estilo de vida do paciente, pelo que o acompanhamento contínuo por uma equipa multidisciplinar de profissionais é fundamental não só ao longo do processo, como após o alcance dos primeiros objectivos.
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Psicóloga às 20:23
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