Domingo, 14 de Outubro de 2007

PORQUÊ TRISTEZA NOS ÚLTIMOS DIAS?

 

 

Cada vez mais o nosso país está a envelhecer, e em poucos anos perspectiva-se que uma larga percentagem da população seja considerada idosa. Com isso advêm elevados custos para a saúde, pelo aumento de doenças, em especial as crónicas e incapacitantes.
Quase todos os idosos sofrem de pelo menos uma doença crónica, pois são os alvos mais susceptíveis, dado o avançar da idade. No que diz respeito às doenças mentais, a depressão e a demência são as mais comuns.
A depressão na terceira idade tem sintomas bem diferenciados de outras faixas etárias, por exemplo, é mais centrada nos problemas somáticos (físicos), ao invés da perda de auto-estima, interesse, desprazer, etc. Não raras vezes é sub-diagnosticada e sub-tratada pelos médicos de família, pois de uma maneira geral os clínicos não se encontram devidamente familiarizados com estas características, e tendem a atribuir as queixas dos idosos tanto às comuns manifestações da senescência (queixume típico dos mais velhos), como a sintomas somáticos. As causas orgânicas devem ser sempre descartadas para a elaboração de um diagnóstico correcto.
Por outro lado, julgo ainda importante referir que também comum é a atitude de conformidade para com a velhice, assumindo uma posição de que “pouco mais há a fazer”, atribuindo todos os problemas à determinante da idade do paciente. Uma das maiores complicações da depressão nesta idade é o elevado risco de suicídio, pois as tentativas realizadas por este grupo específico costumam estar embuídas de maior intencionalidade. Ou seja, isto não quer dizer que os idosos tenham maior premeditação relativamente ao acto, mas sim que estas tentativas são menos falhadas (encaram-se menos como uma chamada de atenção, e mais como um forte desejo que ponha fim a um sofrimento intenso).
Com o avançar da idade, maior é o risco do desenvolvimento de demência. Esta caracteriza-se por uma deterioração gradual das capacidades intelectuais, que vão deixando o idoso progressivamente mais dependente dos outros, normalmente familiares. Em estados terminais, o doente fica acamado e em estado completamente vegetativo, sendo satisfeitas apenas as suas necessidades básicas, para a manutenção de um estado vital. Por isso, é muito importante que os cuidadores (pessoa(s) que se encarregam do cuidado do idoso) sejam devidamente informados acerca da doença, da sua progressão, sintomas e formas de lidar com as mais variadas situações com que se podem vir a deparar. A formação e informação destas pessoas é crucial para a manutenção do estado geral do doente, evitando-se internamentos e institucionalizações mais precocemente. Posto isto, é importante que os profissionais de saúde que lidam com estes doentes estejam atentos aos primeiros sintomas, que normalmente são negligenciados pelos familiares, dizendo que se tratam de “coisas normais da velhice”, pois quanto mais cedo se iniciar o tratamento, por mais tempo se pode retardar o agravamento da doença (pois infelizmente ainda não existe um tratamento totalmente eficaz).
Com isto, vários sectores da sociedade serão afectados, pois há que formular políticas da saúde, dedicar mais investimentos na promoção e prevenção de doenças, promover mais centros de ocupação de tempos livres em que os mais velhos possam usufruir de estimulação cognitiva, mais serviços ao nível do apoio domiciliário (no que respeita a cuidados básicos, de enfermagem, alimentares e de higiene) e mais centros de acolhimento (residências, lares...) que não imponham tantos obstáculos na altura de acolher um idoso dependente e disfuncional... pois a velhice deve ser vivida com o máximo de qualidade até ao fim da vida, mesmo por mais básicas que sejam as coisas que achemos que podemos fazer. Às vezes um abraço e um sorriso valem mais do que mil palavras. Hoje pensamos neles, mas amanhã seremos nós...
Todos temos direito a respeito, dignidade, aceitação, felicidade e qualidade de vida. Mas se nos resignarmos e deixarmos de promover iniciativas para melhorar o panorama da situação actual, certamente que com o aumento de casos de idosos incapacitados, muito poucos serão aqueles que terão oportunidade em usufruir de um tempo último digno e feliz. 
 
Artigo escrito pela autora,
Joana Dias.
:
Psicóloga às 14:34
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