Domingo, 28 de Outubro de 2007

DOR DA PERDA

Todos os seres humanos estabelecem relações afectivas com os outros, umas mais outras menos intensas. Esta intensidade depende da proximidade do relacionamento, bem como do envolvimento emocional.
Por isso, situações de ruptura são sempre complexas, pois implicam a vivência do fenómeno da perda e/ou posterior elaboração de um processo de luto.
Reportar-me-ei a este último conceito.
A nossa sociedade parece ainda não estar preparada para lidar normalmente com o fenómeno da morte, sendo esta, a mais comum das vezes entendida como a degradação do corpo e finitude da vida. É vivida intensamente, pois nunca desejamos separar-nos daqueles que nos são próximos, querendo tê-los sempre ao pé de nós.
Não será esta atitude contraproducente? Ou seja, o que com isto quero dizer é que, ao invés de vivermos atormentados com a perda e querermos prolongar o sofrimento de outrém em prol do nosso bem-estar psicológico, porque não a encarar como um processo de transição?
Apesar dos avanços crescentes da medicina, há cada vez mais pessoas a sofrer de doenças crónicas e incapacitantes, em que a única coisa que se pode fazer é prolongar a vida do doente por mais algum tempo, ainda que isso acarrete agravamentos na sua qualidade de vida. Não raras vezes os familiares procuram (ou são encaminhados para) apoio psicoterapêutico, devido ao sofrimento que se encontram a vivenciar, o que é um acontecimento normal. Toda a dor e sofrimento devem ser exteriorizados, para sua posterior elaboração e seguimento de um processo de luto normal.
Em doenças terminais, quando mais a medicina não pode oferecer do que cuidados paliativos, deve então fornecer-se ao doente a qualidade de vida que ele tanto merece, que pode passar por diversos níveis. Desde cuidados adequados em centros especializados, a visitas de familiares e amigos para uma última despedida, à realização de últimos desejos e cumprimento de tarefas necessárias à organização da vida dos que cá ficam após a sua morte.
É comum que os doentes sofram mais com a dor que sentem que estão a provocar nos outros, do que com a sua própria condição. É importante falar-se com eles sobre a própria morte, atenuando as suas preocupações, a sua dor, tranquilizando-os para o momento da partida. Porque é algo comum, a que todos devemos estar sensibilizados, procurando não vivê-la com uma tonalidade de dor e amargura.
Muito do nosso sofrimento passa pelas representações que adquirimos ao longo da vida. E a vivência do luto deve começar a ser encarada como algo inevitável na vida de todos nós.
Qualidade de vida, tranquilidade e bem-estar não são sinónimos de dor e sofrimento nos últimos dias... O toque e um sorriso podem relevar mais do que uma lágrima em momentos de aflição.
 
 
 

Artigo escrito pela autora.

Joana Dias.

:
Psicóloga às 19:38
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2 comentários:
De Lor a 19 de Maio de 2009 às 11:38
E como superar essa dor? Perdi a minha mãe em Setembro de 2008. Estou no ultimo ano do curso e desde o inicio do ano lectivo (altura em que a minha mãe morreu) não consegui viver a vida académica como antes. Eu bem tento ir ás festas, estar em grupo, estar com o meu namorado, famíli. Palavra de honra que me esforço por "estar normal". Fui, qd obrigada, á minha viagem de finalistas ( que adorei, foi uma lofada de ar fresco!), mas a ideia é que só fui pq nao me devolviam o dinheiro da viagem que ja tinha sido entregue á Agencia de Viagens. Voltei e um mes depois estou pior do que estava antes de ir para a viagem. Andei a "googlear" alguns dos sintomas que sinto, e o mais parecido que vi foi: Luto Patológico, nomeadamente REACÇÕES DE LUTO INIBIDAS...nao sei o que se passa cmg. Eu, parece que tenho um travão. Na hora de ir para a faculdade ou para algum lugar público que pressuponha interacção com outros seres humanos eu fico ESTÁTICA. nAÕ É que tenha MEDO das pessoas. Apenas nao quero estar com elas, nao me apetece conversar. Por mim ficava em casa todo o dia. Mas sei que isto nao é normal, então decidi marcar uma consulta numa psiquiatra que me receitou ESCITALOPRAM e SEDOXIL. Eu honestamente nao me parece que a medicação me vá ajudar Penso que preciso msm é de um psicõlogo ou psicoterapeuta pq esta desmotivação nao é normal, ou é Doutora??? Por favor, espero uma resposta sua. Obrigada desde já pela atenção dispensada e um beijinho.
De Psicóloga a 19 de Maio de 2009 às 14:01
A medicação ajuda, mas não resolve os problemas. Por isso, penso que a ajuda de um psicólogo seria importante de forma a ajudar a ultrapassar esse problema.
Se quiser marcar consulta tem os dados no 1.º post.

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